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Não sou Vilão

Bernardo Sena

Letra

    Lá em casa, o palco era cruel
    Meu irmão de anjo e eu de papel
    Mexia com ele, fazia um drama
    E ganhava um toque que valia uma cama

    Mas não sou eu esse menino mal
    Só era um roteiro emocional
    Fingindo ser o que esperavam ver
    Só queria um sinal pra sobreviver

    Não era maldade, era só carência
    Um pedido de afeto com aparência
    Eu vesti o papel, mas não sou eu
    Só queria um pai que dissesse: Você é meu

    Não sou eu, o vilão da novela
    Era um menino perdido na cela
    Hoje eu me vejo fora do script
    Sou autor da minha própria psique!
    Não sou eu, o vilão da novela
    Era um menino perdido na cela
    Hoje eu me vejo fora do script
    Sou autor da minha própria psique

    Minha mãe dizia: Se comporte, menino
    Mas escrevia meu erro no destino
    Eu errava no palco que ela armava
    E ela usava a culpa que me travava

    Mas não sou eu o errado de nascença
    Fui sabotado na minha inocência
    Meu irmão chorava, eu levava sermão
    E ganhava um carinho camuflado em tensão

    Se o toque vinha junto com a dor
    Eu aprendi a chamar isso de amor
    Mas agora eu vejo, entendo, percebo
    Isso não sou eu, isso era o medo

    Não sou eu, o vilão da novela
    Era um menino perdido na cela
    Hoje eu me vejo fora do script
    Sou autor da minha própria psique!
    Não sou eu, o vilão da novela
    Era um menino perdido na cela
    Hoje eu me vejo fora do script
    Sou autor da minha própria psique

    Não sou o rebelde que desenharam!
    Nem o culpado que eles narraram
    Sou o que sobrou depois do incêndio
    E ainda assim, sou inteiro, sou remendo!
    Se alguém quiser meu rótulo antigo
    Pode guardar como souvenir do perigo
    Hoje eu sou paz, semente e razão
    Não sou mais refém da aprovação!

    Não sou eu, o vilão da novela
    Nem o culpado que a infância revela
    Eu sou afeto, riso e reinvenção
    E agora danço fora da prisão!
    Não sou eu, o vilão da novela
    Nem o culpado que a infância revela
    Eu sou afeto, riso e reinvenção
    E agora danço fora da prisão!

    Escrita por: Bernardo Nobre Soares de Sena. ¿Los datos están equivocados? Avísanos.

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