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Fandango e Surungo

Canção Nativa

Toca gaiteiro esta vaneira ligeira
Sou fandangueiro e tenho confiança no taco
Gosto dum tranco de levantar polvadeira
De arrancar toco de fazer soltar cavaco

Ando num mundo meio solto, sem buçal
Desci arisco no cabo de uma vaneira
E o serviço que mais é braçal
Dançar com as prendas num surungo a noite inteira

Toca gaiteiro não te micha neste fole
Que corpo mola dá na vista do patrão
Pois não existe coisa melhor neste mundo
Que um surungo e um fandango de galpão

Trago no ombro meu pala branco atirado
E as minhas botas bem lustrosas de picanha
Na minha cabeça chapéu grande e desabado
E numa guampa um meio litro de canha

Chego disposto a botar fogo no farrancho
E a bater casco no fandango da Tibúrcia
Mostrar quem dança num chão batido de rancho
E a mulherada conhecer o tatu que fuça

Eu gasto taco num surungo a noite inteira
Abano a saia que se acolhera comigo
Saio com o peito cutucado de madame
E a fivela bem lustrada de umbigo

E quando o Sol braseia as frestas do oitão
A gaita véia suspira e para num upa
Deixo as gurias e me despeço dos amigos
E vou me embora com minha prenda na garupa

Escrita por: Aberlar Garcia / Adilson Serra. ¿Los datos están equivocados? Avísanos.

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