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Frágil

Cassol

(João, quem é você?)

Parece que foi ontem, uma rima, um sonho
Não jogo pro alto, eu tento de novo
Minha mãe se despedindo: Que Deus te acompanhe
O ciclo se inicia por dentro dos olhos

Não sei assumir mas, eu sinto saudade
E a verdade é que a falta acostuma
Foda da mentira é que ela acomoda
E as vez coloca a mão na minha costura

Tão oportuna, lembranças me vem
Pele a pele com o melhor de mim
Minha experiência nos faz com amor
Torna intensa a hora de partir

Peito em jogo, mente quer apartar
Se deixa levar pra paixão aplaudir
A carne é forte, minha vista exausta
Meu ponto fraco é ainda sentir

Eu mudei tanto, amor, soa convite
Assim os seus olhos enganam meu pé
A sua boca marcando a xícara
(Não vem colocar açúcar no meu café)

Sou teu essa noite, amanhã é outro dia
Volto pra minha vila olhando pro céu
Brincando com ideias que ouvi do handal
Na busca do que posso chamar de meu

A dúvida aonde se forma meu chão
Minha intenção que se torna metade
O diferente, não me excito em vão
Minha intuição preferiu a saudade

Tua visão só me traz novidades
Seu ponto fraco tocando meus dedos
Vamo acabar se encontrando de novo
Naquilo que eu canto, no que te escrevo

Dono do agora por isso desejo
Se torna mais leve depois que concentra
Ainda tó errado buscando concerto
Nada foi me dado por isso invento

Vejo nos seus olhos cultura e medo
A desconfiança no toque e no beijo
A semelhança em algo com desprezo
Astrologia, controle do tempo

Que a natureza me trate igual vento
A expectativa supere meus erros
Que o acerto não forme a ação
Pra ambição não puxar minha orelha

Uma canção pra viagem inteira
Poesias que não exijam lágrimas
Vai ter alguém esperando sua volta
E alguma sobra explicando outra falta

Coincidências no centro da palma
A divergência que tenho com as horas
Te falo de mim quando me pede fica
Ainda é mó fita, só falta a demora

Tudo tá fluindo, valeu, minha joia?
Essa coragem eu preciso pra agora
Qual dos teus sonhos que teu medo moia
E qual sai na busca se chove lá fora?

Eu dentro do busu ouvindo pneu
Cê entendeu o silêncio dos bons?
Deus existe, eu inventei ele
Um questionador vale uma multidão de insensatos

Preciso entender meu mapa
Sem ter que estender meus passos
Meu forro tá lotado de cartas
Meu peito tá tão machucado

Só tó concentrando meu carma
Canto por ser tão delicado
Se o mundo me evitasse
Quem definiria o frágil?

O amor que termina minha frase
Sendo o estopim do contágio?
Ainda tão afim de verdades
Antes de sentir não ensaie


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