
Serenata Campeira
César Oliveira e Rogério Melo
Quando eu ouço um verso rimado
Na chucra voz de um cantor
Sinto-me as vezes emocionado
Lembrando que sou seu autor
Rimando então me proponho
Cantar para ela uma canção
E pro violão me transponho
Seu bojo é o meu coração
A vida tem coisas belas
Que infeitam o meu versejar
Com a prenda olhando a janela
Meu canto ordenha o luar
Só a rosa explode seu aroma
E o amor é uma doce mentira
Minh'alma boêmia se doma
Simbrando as cordas da líra
Minhas palavras serenas
Se pintam todas de prata
Bem dizendo as almas gêmeas
Que cantam esta serenata
E os dois, cantor e poeta
Vivendo o mesmo universo
Cantam as rimas prediletas
Com afinação do meu verso
Com essa cadência da métrica
Dançam as sílabas mais fortes
Jorrando a veia poética
Com esta harmonia do acorde
Minha prenda olhando a distância
Escuta nossa canção
Se alumbra o pátio da estância
e um guaipéca uiva no então
Se encanta chorando a prima
E este violão comovido
Meu canto é o solo da rima
Rimando no seu ouvido
E ali num breu da janela
Seus olhos dormem nos meus
O cantor canta pra ela
Mas o seresteiro sou eu
O cantor canta pra ela
Mas o seresteiro sou eu
O cantor canta pra ela
Mas o seresteiro sou eu



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