
No Cocho do Sal
César Oliveira
Tombou o salso sob o aço do machado
E a timbaúva tombou no mesmo ritual
O que foi sombra e pouso das aves em bando
O fio da enxó transformou em cocho de sal
Gamela grande, boca aberta na coxilha
Rondando o campo até parece um sentinela
Parei pensando e me dei conta de repente
Que o boi no cocho é o próprio charque na gamela
Carrego o sal na carretinha piqueteira
E um cocho novo pra invernada dos terneiros
A junta manda conhece sanga e atalho
De cocho em cocho, eu fui me criando campeiro
Peito estufado de confiança nos meus bois
Largo a cabeça pra o saleiro da tapera
Debaixo do arvoredo onde eu brincava
Encontro sempre um rodeíto à minha espera
É dando o sal que se conhece cada rês
E algum alheio maraca da estância vizinha
Cevo o meu mate e sento na frente do rancho
Vendo o rodeio lamber sal de tardezinha



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