Suscríbete
Visualizaciones de la letra 3

Menina e a Luz

Cidinha de Almeida

A noite descia tão fria
A neve cobria o chão
E uma menina seguia
Com fósforos pela mão

Passava por tantas janelas
Ouvia risos no ar
Via as casas tão belas
Mas não podia entrar

Seus pés já estavam cansados
O vento cortava seu rosto
Os passos ficaram parados
Num canto estreito e exposto

Ninguém comprara um fósforo
Ninguém perguntou quem era
E ela abraçou os joelhos
Enquanto a cidade adormecera

Acende um fósforo, menina
Faz a noite clarear
Uma chama pequenina
Também pode iluminar

Enquanto houver uma esperança
Mesmo breve como a luz
Há um sonho de criança
Que no escuro ainda reluz

Ela riscou o primeiro
E a chama começou a dançar
Parecia haver um braseiro
Bem diante do seu olhar

Sentiu suas mãos aquecidas
O frio pareceu partir
Mas quando a chama apagou
Viu o sonho também fugir

Riscou outro, bem depressa
E uma mesa apareceu
Com toalha branca e festa
Como ela nunca viveu

Havia comida quentinha
Um cheiro bom pelo ar
E os olhos daquela menina
Começaram a se encantar

Acende um fósforo, menina
Faz a noite clarear
Uma chama pequenina
Também pode iluminar

Enquanto houver uma esperança
Mesmo breve como a luz
Há um sonho de criança
Que no escuro ainda reluz

Outro fósforo se acendeu
E uma árvore ela avistou
Cheia de luzes e estrelas
Como nunca imaginou

Parecia que cada brilho
Vinha só para lhe dizer
Mesmo no meio da noite
Ainda é possível sonhar e viver

Mas outra vez veio o escuro
E a árvore desapareceu
Uma estrela riscou o céu
E a menina então percebeu

Lembrava uma antiga história
Que a avó costumava contar
Quando uma estrela cai
Uma alma vai se encontrar

Então veio outra chama
E algo diferente aconteceu
No meio daquela luz
O rosto da avó apareceu

Era o carinho guardado
Era o abraço que conhecia
Era a lembrança mais bonita
Que em seu coração ainda vivia

Vovó, não vá embora!
Fique um pouquinho aqui
Quando a chama desaparecer
Eu sei que não vou mais te ver daqui

E com medo de perdê-la
Sem querer deixar a luz partir
A menina acendeu os fósforos
Todos, para vê-la sorrir

E a rua ficou iluminada
Como se fosse amanhecer
Não havia mais frio ou medo
Só aquela luz a envolver

E nos braços da lembrança
Ela finalmente descansou
Enquanto a noite silenciosa
Sobre a cidade passou

Quando o novo dia chegou
Encontraram a menina ali
Com os fósforos consumidos
E um sorriso leve a surgir

Disseram: Tentou se aquecer
E continuaram a caminhar
Mas ninguém soube dos sonhos
Que ela conseguiu enxergar

Ninguém viu aquela mesa
Nem a árvore a brilhar
Ninguém viu o rosto da avó
Que ela tanto quis abraçar

Ninguém soube que uma chama
Por menor que possa parecer
Deu àquela pequena menina
Um último mundo para viver

Acende uma luz, menina
Que eu também quero enxergar
Quantas crianças no mundo
Ainda esperam nosso olhar

Que não seja um fósforo breve
A única luz que alguém tem
Que nenhuma criança precise
Sonhar com o calor de alguém

Se uma chama pequenina
Pode a noite iluminar
Um gesto nosso, talvez
Possa uma vida mudar

E quando passar uma criança
Que o mundo resolveu não ver
Não deixe que apenas seus sonhos
Tenham coragem de a acolher

Acenda uma luz de verdade
Um abraço, um pão, um lugar
Porque criança nenhuma
Deveria ter frio para sonhar


Comentarios

Envía preguntas, explicaciones y curiosidades sobre la letra

0 / 500

Forma parte  de esta comunidad 

Haz preguntas sobre idiomas, interactúa con más fans de Cidinha de Almeida y explora más allá de las letras.

Conoce a Letras Academy

¿Enviar a la central de preguntas?

Tus preguntas podrán ser contestadas por profesores y alumnos de la plataforma.

Comprende mejor con esta clase:

0 / 500

Opciones de selección