Tristeza De Jeca
Cidinha de Almeida
O Sol vai cair lá de trás da serra
A sombra se deita no meu chão de terra
O vento assobia no pé de café
Trazendo a lembrança daquela mulher
Eu pego a viola e aperto no peito
Suspiro magoado, pois não tem mais jeito
Ai, essa tristeza de Jeca que dói
É um bicho por dentro que morde e corrói
Meu rancho de palha parece chorar
Desde o dia em que ela deixou meu lugar
Ai, ai, a saudade é um espinho no olhar
O fogo de lenha já quase apagou
Igual a esperança que o tempo levou
O pito de palha já não tem sabor
E o canto da Jandaia é só dissabor
Eu olho pro céu, peço a Deus com fervor
Que um dia devolva pro mato essa flor
Ai, essa tristeza de Jeca que dói
É um bicho por dentro que morde e corrói
Meu rancho de palha parece chorar
Desde o dia em que ela deixou meu lugar
Ai, ai, a saudade é um espinho no olhar
A noite é escura, não tem luar
Só o canto do sapo na beira do rio
O frio da madrugada vem me castigar
Mas o que congela é o peito vazio
Ai, essa tristeza de Jeca que dói
É um bicho por dentro que morde e corrói
Meu rancho de palha parece chorar
Desde o dia em que ela deixou meu lugar
Ai, ai, a saudade é um espinho no olhar
No toque arrastado da minha viola
A alma padece, mas a dor consola
É a tristeza do Jeca, que o tempo não rola



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