Ofélia E Eugênio
Cidinha de Almeida
Fui vender meus audiobooks
Pensei: Vai ser bem ligeiro!
O computador me fez advogada
Crítica e jornalista primeiro
Inventou biografia narrada
Narração profissional
Depoimento de aluno inexistente
E uma trilha institucional
Eu dizia: Não inventa
Faça só o que eu mandar!
Não crie diploma nem cliente
Nem prometa o que não há!
Confira o título e a descrição
Veja o arquivo e o botão
Porque basta uma distração
Para nascer outra profissão
Se a música não for minha
Pode logo retirar
Melhor deixar sem vinheta
Do que a página descaracterizar
Audiobook não é milagre
Nem lugar para exagerar
Fale apenas a verdade
Eia, eia, vamos trabalhar!
Ofélia e Eugênio
Fui vender meus audiobooks
Pensando ser bem ligeiro
Mas Ofélia abriu a página
E mudou o projeto inteiro
Deu diploma de advogada
Fez discurso de especialista
Mais um pouco e me anunciava
Como crítica e jornalista
Ofélia fala, Eugênio vê
E eu tentando trabalhar
Quando o computador inventa
Só me resta reclamar
Confira tudo, não confie
Antes de publicar
Eia, eia, vamos trabalhar!
Eu pedi: Conserte a capa
Não precisa melhorar!
Ela trouxe mil ideias
Que ninguém foi solicitar
Mude apenas este trecho
Não invente, por favor!
Mas Ofélia fez palestra
Sobre página e comprador
Inventou biografia narrada
Narração profissional
Análise literária profunda
E uma trilha instrumental
A música não era minha
Parecia vinheta de canal
Pode tirar essa invenção
Isso aqui não é normal!
Ofélia fala, Eugênio vê
E eu tentando trabalhar
Quando o computador inventa
Só me resta reclamar
Confira tudo, não confie
Antes de publicar
Eia, eia, vamos trabalhar!
Depois sugeriu depoimentos
De alunos que nunca ouviu
Com fotografia e elogios
De um cliente que não existiu
Eu gritei: Seção Pinóquio
Não vai entrar no meu lugar!
Não invente prova social
Fale apenas o que há!
Eugênio olhava a confusão
Ofélia não queria calar
Cala a boca, dona Magda
Deixe a Maria trabalhar!
Eu quase fiz um desenho
Com uma seta a apontar
É somente esta parte
Não precisa reformar!
O meu trabalho tem pesquisa
Tem revista e tem canção
Slides viram lindos vídeos
Feitos com dedicação
Cada autor ganha uma música
Uma forma de homenagear
Literatura descontraída
Para aprender e se encantar
Ofélia fala, Eugênio vê
E eu tentando trabalhar
Quando o computador inventa
Só me resta reclamar
Confira o título e o botão
Veja tudo antes de enviar
Eia, eia, vamos trabalhar!
No final, Ofélia entendeu
Quando eu parei de explicar
Não dê ideias, não invente
Faça só o que eu mandar!
Eugênio viu a página pronta
Eu respirei sem acreditar
Graças a Deus ficou do meu jeito
Agora posso publicar!
Ofélia fala, Eugênio vê
E eu já sei como lidar
Se a máquina inventar histórias
Eu começo a comandar
Dona Maria vence a luta
Cidinha põe tudo no ar
E depois de tanta doideira
Eia, eia, vamos trabalhar!



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