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Soneto - XXXVI (ou A Oração)

Contos de Joaquim

Quando a vida me encheu de agonias
E deserto, fiquei só - não tenho deus -
Reneguei a minha audácia de ateu
E fitei ao longe o céu - sem ironias...

Mas antes que eu pudesse ser sincero
Vi num poste de energia um belo ninho
No instante em que saia um passarinho
À labuta de alimento sem esmero...

Neste instante, meus amigos, vos confesso
A vergonha latejou como um abscesso
Inflamado que não para de doer...

Como eu posso implorar ao deus que for:
"- uma ajuda, uma ajudinha meu senhor..."
Se eu já tenho esse dom que é viver?!


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