
Hiato II
Crônicas de Um Babaca
E quando eu querer sumir
Não caber no lugar que escolheram para mim
Não viver nesse mar, que afoguei o meu rim
Me hidratando no bar, me matando um pouquinho
Propagando esse ar que fumei do vizinho
A maconha mais forte, a droga me lesa
A da fonte, o gelo da peça o cheiro da morte, a onda do avesso
Se meus caminhos não forem bem
Todos os meus sonhos respiram mal
Meus pesadelos na terra do nunca, meu coração no quintal
E como ele afunda, dá para plantar uma planta
Colher segunda, correr de toda demanda
A vida não é justa, eu sinto esse jab na fuça
Não voltar atrás, eu me vi como os meus rivais me viram
Como um oponente forte
Todos ideais que construíram, me matei no jaz
Todos expoentes que sumiram quando me virei pro norte
Me apegando em, puta carro, droga, foda
Luta, nota, puta, droga, furta, vende, exporta, compra
Eu sou o chefe, eu lido com a bomba, eu banco meu blefe
Eu faço essa ronda, essa porra não teste, eu não ligo pra santo
Eu chuto a macumba, eu só quero dinheiro e uma bunda
De lingerie para dar uns tapin
Para ri, fumando com a minha mon cherrie
Assim eu me sinto desistir, parece que mata um vazio
Eu sei que é momento, eu quero essa puta no cio, viver o momento
Igual eu degusto um pudim, por que, que essa vida é assim?
Eu também não procuro entender, ela que atravesse por mim
(Fala): Você é preciso ser alguém muito estranho e muito poderoso para ter medo da felicidade
Bobo, é você, é por isso que você não tem medo de ser feliz
Mas quanto mais inteligente você é, mais você sabe: A felicidade é uma armadilha
Ela não pode durar para sempre
Digamos que você conheça o amor da sua vida, ainda vai acabar, é inevitável
Seja pelo efeito lento de uma doença ou o choque de escorregar numa trilha na montanha
Seja a corrosão de duas personalidades que remoldam uma à outra até serem incompatíveis
Ou talvez o velho estranho no parque diz as coisas que precisam ser ditas para aquela pessoa naquela noite
O ponto é, a felicidade sempre termina
Imperfeito como os meus planos, me perdendo em meus sonhos
Eu não sei quem eu era ontem, me olha e me vejo estranho
E eu me rendo quando me convém
Quando só tem isso para me apegar, quando o vazio me capturar
Tiro uma foto e me lanço no mar
Parece infinita essa dor de amar
Quem sou? Quem eu? Quem vou? Quem seu, quem me ensinou?
Quem me perdeu? Quem procurou? Quem se fodeu?
Eu não quero ser achado
Eu corto esse tempo igual machado
Que passe bem lento
Tudo manchado no vento
Tudo quebrado e fedendo
Tudo bem cinza, mas dá para usar
Ela é tão linda e tão burra, eu não entendo essa porra
Gata me jura, fala que me acha foda
Infla meu ego fajuto
Brinda essa vida gangorra
Me dá uma letra de amor, clichê, pop prazer
Só para eu querer te querer, te endeusar no lugar que não existe
Só para passar na TV
Quem sabe gravar mais clipe onde eu pague de bom moço
Um rapaz triste onde eu esconda meu poço
Faço o que posso só para deixar de ser lixo
Não fui colírio pros teus olhos
Meus modos me enganam também
Seu solo no Guitar Hero foi o melhor que eu vi



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