
O Homem
Di Paullo e Paulino
E sou aquele que planta na terra bruta
Enfrentando a grande luta pelo sertão
Sou aquele que semeia com esperança
Trabalho com segurança e disposição
Sou aquele que respiro ao romper do dia
No cabo da ferramenta enfrento o calor
Tiro o chapéu da cabeça e olho pro céu
Com fé rogo proteção a Nosso Senhor
O dia vai terminando, eu volto pro rancho
Abraço mulher e filho e pego a viola
Eu acendo o meu cachimbo e desfaço a mágoa
Esperando novamente o romper da aurora
Deito o meu corpo cansado e logo adormeço
Ouvindo o ranger das palhas do meu colchão
Sepulto o meu pensamento dentro da noite
E sonho com a moçada no mutirão
Na hora que o galo canta eu me levanto
E faço o meu Pai Nosso e Ave-Maria
Vou pra bica, lavo a cara e vou pro roçado
Espero muito contente outro fim de dia
Sou poeta, sou repente, sou lavrador
A minha pele queimada é documento
Pois cada homem do campo é um soldado
Que não deixa faltar nunca nosso sustento
O dia vai terminando, eu volto pro rancho
Abraço mulher e filho e pego a viola
Eu acendo o meu cachimbo e desfaço a mágoa
Esperando novamente o romper da aurora



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