
Homenagem Aos Freitas
Formiguinha
Ô João Freitas, és meu grande amigo
Você recorda com muita saudade
Branqueou o cabelo, enrugou o rosto
Meu companheiro é vivido da idade
Relembra o pai, relembra da mãe
Você relembra a tua irmandade
Relembro a esposa e filhos que perdeu
Que estão no reino da eternidade
Talvez tu saibas que a maior riqueza
É cuidar dos filhos e mostrar o bom caminho
Com oitenta e poucos que tem sobre as costas
Meu companheiro tu já estás velhinho
Netos e netas que te arrodeio
É pra beijar nas faces do vovozinho
Talvez tu saibas, meu querido velho
Como é bonito teus cabelos brancos
Caminha lento de corpo encurruado
Uma bombaixa e um par de tamanco
Recorda o rancho que criou os filhos
Um fogão de barro, uma mesa e um banco
Tua palavra era o próprio selo
Porque foste um homem tão sincero e franco
Casa de taua, telhado de zinco
E sobre os fundos muitas pitangueiras
Um valo grande que corria água
Deve era o limpo e um pé de figueira
Dona Georgina morava do lado
A sua mãe era a benzedeira
O Gildo Freitas e o João Freitas
Cantavam nas festas de domingueiras
E tudo isto só resta saudade
Porque a família já está no fim
Morreu o Cravo e morreu a Rosa
O Magiricão, morreu o Jasmin
Até o Cravo também aí já morreu
Murchou a folha do pé de Jasmin
Ainda resta a Maria e o João
Que tão conservando o pequeno jardim




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