
Canção do Barqueiro
Francisco Alves
Oh que delícia gozar
A carícia do mar
Que prazer poder assim viver
De um lindo arrebol
A volúpia sorver
E a eloquência de um pôr de Sol
Como é sublime o palor do Luar
Refletindo no verde mar
E em meu barquinho, eu me fico a pensar
Como é belo vogar, vogar
Mas a procela ruge
E o mar bravo se encapela
Eis-me a velejar, quase a naufragar
Meu barco é uma folha ao vento
Mas a bonança vem
E o mar enche de esperança
Fito o céu risonho e então me ponho
Outra vez a vogar, a vogar
Vinde, São Pedro, um instante
Ao feliz navegante
Trazei a vossa proteção
E a fé permaneça em sua alma
E recresça a ventura em seu coração
Que estas risonhas e alegres canções
São as preces do pescador
E este luzir, sem cessar, dos barões
A grandeza do seu amor



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