
Samba-Enredo 2027 - Tybyras
G.R.E.S. Unidos da Ponte (RJ)
Sou eu, Tybyra
O fogo ardente de um Brasil originário
Que não se acanha quando o corpo delira
Onde dois se tornam um
Na moita sibila o ancestral colorido
À flor da pele, o gostoso é o proibido
Pra dar e receber o amor e cultivar
A delícia de entender, abraçar e beijar
De dia transpirando, à noite amando a tentação
Sagrado tocamento sob o céu da liberdade
Quem trouxe o pecado
Invente o perdão
No homem que não tem humanidade
Tem medo de Anhangá, mas quer fazer cunin
Adora desfrutar de tanto aipim
Se é pra serpentear, tirar o mel da cana
Cacique sucuri ou cobra caninana?
Mas o veneno é bala de canhão
Pelo aceno da Inquisição
Ao bel-prazer a fé condena o alheio
E age às escuras
Se lambuzando para o seu próprio deleite
De um corpo faz banquete
O que corrompe é o meio
E assim Catimbó vence Xawara
O cachimbo pelas matas
Contra a luta desigual
Eu sou tupi, tupinambá, eu sou Cudina
Sou a bicha que ensina
Desejo coletivo e plural
Aê, aê! Resistir é minha sina!
Reflorescer feito uma heroína!
Eu sou Tybyra, não mexe comigo, não!
Ergui a Ponte pra fazer revolução!



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