Canto de Um Payador Cismado
Gustavo Teixeira
Hermanos se dão licença quero cantar nesta hora
A intimidade dos mates me permitiu essas coplas
Que aprendi com os silêncios e as rosetas das esporas
Dê a muito rondo a mim mesmo
No universo das campanhas
A arquitetura das estâncias
Os fogões dos descampados
Que trazem versos timbrados
Das vivências campejanas
Sempre a solidão me alcança, algum mate bem jujado
Eu trago sempre na alma, algum manojo de pasto
E encontro filosofias escorado no meu basto
E encontro filosofias escorado no meu basto
Ao me crismar nos orvalhos apojos da madrugada
Onde aprendi serenatas na voz de grilos cantores
Compreendi os payadores empunhando suas guitarras
Quarteei lidas destes campos, parando largos rodeios
E tropiei muitos sinuelos, dois ou três mouros de tiro
Pra depois sorver domingos, sentado sobre os arreios
Pra depois sorver domingos, sentado sobre os arreios
Se ainda restam palavras para cantar o que sinto
Embora as sílabas gastas, são coplas que não me olvidam
E ganho sonhos pelos olhos dos poucos que vão me ouvindo
Por isso canto minha alma, com pulsos do coração
E se cismei das guitarras, cismei com minhas razões
De andar irmanado ao vento e as fumaças do fogões
De andar irmanado ao vento e as fumaças do fogões
De a muito rondo a mim mesmo



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