
Poesia do Sólido
Inquilinos da Casa Verde
Geme pedra tropical
Pedra não geme
Pedra não chora
Dente seco de fome
Sem amor, sem
Sobrenomes
Sobrevida esquelética
Minimiza e
Imobiliza
Mais gélida mais cética
Inconformada e
Conformista
Sem notar
Foi guiado pro abismo até pular
Sem pensar
Formidável sistemática
Que houve
E ninguém ouviu
Nem viu
O que aconteceu
Faca cega pra cortar
Cega não corta
Cega não serve
Canas de tanto açúcar
Há quem manda e
Há quem serve
Por milênios afinal
Saqueada
Liberdade
Quem é o bem e quem é o mal
Tente ver além
Da verdade
Sem notar
Foi guiado pro abismo até pular
Sem pensar
Formidável sistemática
Que houve
Ninguém viu, ninguém vê ninguém ouve
Ninguém viu, ninguém vê ninguém ouviu
Nem viu
O que aconteceu, o que aconteceu
O que aconteceu, o que aconteceu
Ô ô
Sem notar
Foi guiado pro abismo até pular
Sem pensar
Formidável sistemática
Que houve
E ninguém ouviu
Nem viu
O que aconteceu
Poesia do sólido
Não há nada
Que eu não veja
Alienado tom mórbido
Por mais sonoro
Que seja
Tente ouvir o dissonar
Bem mais fundo
Que os ouvidos
Sente o grito e a lágrima
Bem implícitos
Reprimidos
Sem notar
Foi guiado pro abismo até pular
Sem pensar
Formidável sistemática
Sem notar
Foi guiado pro abismo até pular
Sem pensar
Formidável sistemática
Sem notar
Foi guiado pro abismo até pular
Sem pensar
Foi guiado pro céu



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