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Fiz um trato com o tempo, feito bobo acreditei
Que passasse devagar, não foi o que ele fez
Levou minha juventude, tão depressa, nem notei
Mudou também a paisagem que tinha nessas paragens
No tempo que aqui cheguei

Até a velha paineira, lembro o dia em que caiu
Agarrada às raízes, lutou, mas não resistiu
Foi assim da primavera que ela se despediu
Eu fiquei sem suas cores, mas o perfume das flores
Da memória não saiu

Onde era a palhada, invernada transformou
Já não tem mais o chiqueiro, poleiro desmoronou
Só o toco da peroba que um dia alguém, serrou
Parece assistindo a tudo, resto de madeira mudo
Que já não tem mais valor

Desfilando em saudades dentro do meu coração
Entre as marcas do meu rosto, as lembranças vêm e vão
Pois o tempo não cumpriu o nosso trato, então
Passou depressa demais, me deixando para trás
Com meu fim e sem sertão!


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