
Senhora Dos Descampados
Jairo Lambari Fernandes
Senhora dos Descampados
Ouve essa prece a lo largo
Que eu rezo em frente ao fogo
Solito com meu amargo
Senhora dos Descampados
Escuta aquilo que falo
Com meu olhar estendido
Que já nasceu de a cavalo
Eu sou campeiro e me habito
Nesse galpão de invernada
Um posto humilde, mas donde
Deus sempre teve morada
Não sei o terço e na igreja
Não fui mais que umas três vez
Mas minha fé me acompanha nos trinta dias do mês
Rezo em silêncio nos campos
Na sombra de algum capão
E, embora eu não fale nada, escuta a minha oração
Livra o campeiro do tombo, do coice e do manotaço
Desvia o fogo do raio e as contra voltas do laço!
Junto a esta cruz solitária, lhe deixo velas acesas
Pra lhe pedir que não falte, nunca, bóia sobre a mesa
Trago outra cruz de Lorena, dependurada no peito
Na bendição que me guarda, em ser cristão, deste jeito
Na minha reza de campo, faltam palavras, eu sei
Mas tem a fé, verdadeira, por tudo que eu conquistei
Te faço imagem em meus olhos, te vejo plena de céu
E frente a ti, me condeno, me calo e tiro o chapéu
Embora cuide dos campos, encontra um tempo pra mim
Eu nunca perco a esperança, alçada pelos confins
Eu sei que vida da gente, tem sempre um rumo traçado
Por isso, rezo e lhe peço, proteja estes descampados



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