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Lisboa da Madrugada

Joana Amendoeira

Lisboa tem um tesouro que escondeu
Numa das sete colinas pequeninas
O fado que ela aprendeu
Mais o berço onde nasceu a canastra das varinas
Só não tem um coração porque mo deu
Perto da Rua das Trinas

Quando Lisboa chega a casa às sete da manhã
Já o Tejo anda a pedir p’ra que Lisboa se deite
E ela não fica sozinha
Porque tem uma sardinha e um jarrinho de azeite;
Quando Lisboa chega a casa às sete da manhã
Ainda o fado anda a pedir aos restos da madrugada
Para o levarem a casa
Porque um grãozinho na asa fê-lo esquecer a morada

Lisboa tem um segredo que contou
Ao santinho da sua predileção
Mas o menino acordou
E Lisboa transformou o segredo num pregão
E agora que Santo António autorizou
Vai contá-lo a São João

Lisboa tem um poema que escreveu
Com a espuma azul das primeiras traineiras
E o que então aconteceu
Foi que a espuma dissolveu as rimas mais verdadeiras
E só quem as soube ler e aprendeu
Foi a alma das peixeiras

Escrita por: Pedro Jóia / Tiago Torres da Silva. ¿Los datos están equivocados? Avísanos.

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