
Alma de Poço
João de Almeida Neto
Madrugada mais lubuna
Mateio desprevenido
Tenho andado mal dormido
Com paixões demais pra um
Os meus olhos tresnoitados
Se voltam mesmo pra dentro
A vida põe sal na boca
E o mate não mata a sede
Querência fica distante
Mesmo andando dentro dela
Que me importa o sol na cara
Se a alma não amanhece?
Não quero sonhar de novo
Renascer não vale a pena, ai
Alegria pouco importa
Quando a vida anda pequena, ai
Solidão bate no rancho
Já me sabe mais covarde
Vou cultivando um silêncio
Que vai florescendo à tarde
Ai, ai, ai de mim
Corpo de moço
Jeito de rio
Ai, ai, ai de mim
Alma de poço
Peito vazio



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