
A Rodoviária
José Fortuna
Quando saltei na Rodoviária
Daquela vila do interior
De muito longe, desesperado
Fui a procura do meu amor
Milhões de rostos vi em minha frente
E o rosto dela não apareceu
Na grande selva de minha vida
Foi folha morta que se perdeu
Também na grande Rodoviária
De meu destino perdido estou
Ônibus chegam, ônibus partem
Não sei se fico, não sei se vou
Por corredores, portas e salas
Barulho, gente, vozes enfim
O meu caminho ficou sem rumo
Na encruzilhada dentro de mim
Chamei, gritei, perguntei por ela
À multidão que me rodeava
Não fui ouvido porque os outros,
Igual a mim também esperavam
Rodoviária,ponto de encontro
De estradas mil que de longe vêm
Leva saudade, traz esperança
Gente que está a esperar também



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