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O Amor Nunca Se Acaba

Kiko di Faria

Se minha voz é capaz de tecer catedrais, de dominar e falar as línguas angélicas
Mas se não tenho teu amor, sou ruína de bronze retinente
Profecias que fendem véus de mistérios abissais
Fé que arrasta altiplanos pro mar
Mas que sem ti, nada mais é do que cinzas volantes açoitadas ao vento

Tu, sapiência que esculpe séculos, em granito terno
Bondade que trespassa armaduras de espinhos secos
Força tremenda que desejar o eterno amor, amor, Amor

Amor é rio que entalha cânions no peso do tempo
Não inveja o sol que se afoga em horizonte de sal
Não se irrita em tronos de orgulho frágeis como geada
É asa que dobra galáxias, farol que trespassa e supera jornadas
Amor, expressão do sagrado divino, imortal, sustentando minha alma

Se eu doasse meu sangue aos famintos, e entregasse o corpo ao holocausto
Sem teu abraço: Tudo isso são nada, são pétalas mortas no vento austéro
Pois o amor não maltrata a asa ferida, não guarda rancor como um túmulo
Alegra-se na verdade nua que é, raiz que fende o mármore duro, e rasga o céu, o abrindo ao mundo

Não procura seu norte em mapas de egoísmo cego
Suporta o peso das eras, crê onde o mundo duvida
Se renova renovando tudo ao fazer o divino verbo

Amor é rio que entalha cânions no peso do tempo
Não inveja o sol que se afoga em horizonte de sal
Não se irrita em tronos de orgulho frágeis como geada
É asa que dobra galáxias, farol que trespassa e supera jornadas
Amor, expressão do sagrado divino, imortal, sustentando minha alma

Minha mente via em espelhos de âmbar envelhecido
Sílabas de uma velha infância, pedaços de sonhos em arco-íris partidos
Quando o Perfeito irrompe como aurora em abismo sombrio
O parcial se desfaz e me elevas fazendo me conhecer, como sou conhecido

Saiba que a fé é âncora no tempestivo, esperança é vela ao vento
Mas o amor é o oceano onde galáxias se banham serenas
Face a face, sem véus nem enigmas de sombra e luz
Tu, amor, és o primeiro, o último, o eterno diapasão das divinas cenas

O amor é rio que entalha cânions no peso do tempo
Não inveja o sol que se afoga em horizonte de sal
Não se irrita em tronos de orgulho frágeis como geada
É asa que dobra galáxias, farol que trespassa e supera jornadas
Amor, expressão do sagrado divino, imortal, sustentando minha alma

O amor é o rio que entalha cânions no peso do tempo
Não inveja o sol, não se orgulha instalando-se em tronos de cristal frágil
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta incansável
Pois o amor nunca se acaba, é o maior, o eterno, o Inabalável!
Amor!

Tudo suporta, face a face, amor que não acaba
Face poética do divino eu a se revelar a mim e a você, amor!


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