
Costurando A Sombra
Laís Gomes
Eu às vezes dou um jeito de ser gente
Mas, sinceramente
Eu não sei como é que é
Que se sucede esse passo tão distante
E ainda mais adiante
Na arte de ser mulher
Eu às vezes me pareço assim à toa
Mas, na boa, não descanso um dia só
Tenha dó, esse Sol me queima a cara
Esse breu me desampara
E a costura dá um nó
Enquanto procuro meu lugar ao Sol
Procuro espantar o que me assombra
Costurar a minha sombra
Na sola dos meus pés
Eu queria desfazer todos os pontos
Esquecer de vez a vida
Me rasguei em desencontros
Não tenho a que pertencer
Não tenho o que recordar
Minha sombra não quer ser
Cúmplice da sua dona
E o espanto que me dá
A finura dessa linha
Desmancha-me toda a renda
E quase que me arrebenta
O fio da espinha



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