
Rodeio das Almas
Luiz Marenco
Quando tranqueia uma canção desses campeiros
Para as moradas em consolo se destinam
Liberta os sonhos dos terrunhos companheiros
Pois traz na alma partituras campesinas
Enquanto andeja a semear sonoridades
Na comunhão da melodia com as rimas
É como carta esquecida nos peçuelos
Que o tempo e a vida transformaram em obra prima
Quando a tardinha vai vestindo os edifícios
De sombras mansas, e a quietude apressa o passo
Ouve-se vozes povoando apartamentos
Cantos nativos acenando dos terraços
E por ser simples a canção desses campeiros
Para rodeio das essências regionais
É lenitivo aos anseios caborteiros
Quando a saudade ronda rumos desiguais
Essa cantiga, que é de antiga, nos irmana
Vem estradeando com acordes alma adentro
A revolver a lembrança interiorana
Nunca perdida nas senzalas de cimento
Quando tranqueia uma canção desses campeiros
Nem mesmo o mar é capaz de nos impor
O impossível das lonjuras pra os recuerdos
Pois nada é inacessível ao amor



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