
Três Léguas de Solidão
Luiz Marenco
Aperto cincha e cinchão
Que a claridade me chama
Pela frente do galpão
Vem entrando la mañana
Salta a noite na garupa
Pra ir comigo reclama
E a solidão nos retruca
Resto de Lua na trama
Mas logo o astro se apaga
E o dia frio é pintura
Pra um coração aventado
Nem brasa de benzedura
Se me lastima uma geada
Só o teu recuerdo me cura
Vou buscar na tua mirada
A lenha da tua ternura
Teu rancho era pra ser perto
Que o meu gateado é um relâmpo
Mas, três léguas de saudade
Não são três léguas de campo
Tem chirca, medo e banhado
Timidez de tanto em tanto
Tem porteira com cadeado
Sem chave pros teus encantos
Neste domingo de inverno
Vou de novo à tua morada
Como fiz no outro mês
E na semana passada
Até ensaiei a fala
Enquanto tosava eguada
Me vi contigo na sala
Trocando boi de invernada
Coragem é coisa engraçada
Com potro e vaca com cria
Já bandeei tropa pesada
Bufando o Santa Maria
Mas só pra dizer: Te quero!
A cincha de uma agonia
Me aperta osso do peito
E quem diz que eu te dizia!
Se eu voltar logo à tardinha
Igual que no outro domingo
As léguas de solidão
Voltam de tiro comigo
Mais seis dias, quantas penas
De distância e desabrigo!
E uma esperança pequena
No olhar que cruzei contigo



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