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Aquela estrada que passei lá no passado
Ainda passa na minha imaginação
Longas boiadas que passavam passo a passo
Hoje não passa de mera recordação

Aquela estrada que já não existe mais
Porque o progresso retalhou todo seu leito
Hoje só resta um retrato na parede
E a saudade retalhando o meu peito

Aquela estrada de paisagem colorida
Onde se ouvia periquitos e tuis, e maritacas barulhentas revoando
E as colheirinhas penduradas no capim

Lindas paineiras jogando flores no chão
Dama-da-noite, primavera e lírio branco
La na baixada, o riozinho caudaloso
E as borboletas coloridas no barranco

Aquela estrada de poeira avermelhada
Meu pai passava com seu velho carretão
Seis bois de carro caminhavam sonolentos
Puxando a safra de arroz, milho e feijão

Aquela estrada que virou grande avenida
E tantas vezes um berrante repicou
O asfalto negro cobriu a terra vermelha
Só não cobriu a lembrança que ficou

Aquela estrada onde passaram os meus sonhos
Que se perderam nas encostas dos caminhos
Tantos amores que amei e não me amaram
Por isso eu vivo caminhando tão sozinho

Minha esperança de um dia ser feliz
As enxurradas levam tudo para o mar
Só não levou a minha fé que tenho em Deus
Que só termina quando a morte me levar

Escrita por: Pedro Bento, Ademar Braga. ¿Los datos están equivocados? Avísanos.

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