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Na cidade onde moro amanheço escutando
A cantiga dolente de um bem-te-vi
Se os seus olhos vissem meus olhos chorando
Ele ia cantar muito longe dali

Seu cantar vai buscar o meu doce passado
Que vem e retorna nas assas do vento parece fumaça de um fogo agitado
Sufocando o ego do meu sentimento

Pois ali não vejo o jacarandá
Onde cantarolava o canário da terra
Não vejo traíra no meu samburá
E nem a lagoinha lá na pé da serra

Não vejo perdiz na trilha do gado
E nem as abelhas no pólen da flor
Não ouço mugido de boi confinado
Lá na passarela do embarcador

Também não deparo com minha mãezinha
Ralando mandioca no velho galpão
Papai não debulha milho pras galinhas
Nem trata dos porcos lá no mangueirão

Do passado tenho somente a cantiga
Desse passarinho simples forasteiro
E a rara presença de alguma formiga
Lambendo cimento sobre meu terreiro

Chega de cantiga bem-te-vi grã-fino
Chega de lembranças lá do meu sertão
É triste viver nas mãos do destino
Longe dos currais, boiada e peão

Quando você canta volto a ser menino
Depois vem o tranco da desilusão
Assim você faz o meu sopro divino
Morrer de overdose de recordação

Escrita por: Fabiano Rancharia / José Calixto. ¿Los datos están equivocados? Avísanos.

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