Ainda Cabe Amanhã
Matheus Souza e Silva
Eu já fui mais pressa que passo
Mais promessa que direção
Já guardei o mundo no peito
Sem caber na própria mão
Já chamei de amor o costume
De coragem a solidão
E sorri pra não dar trabalho
Com a tristeza no violão
Mas a vida, quando ensina
Não pergunta se eu quero aprender
Ela chega, senta à mesa
E me obriga a me reconhecer
Ainda cabe amanhã
Nessa noite que não termina
Ainda cabe um pouco de fé
Nessa dor que me desafina
Eu não sou tudo que perdi
Nem só aquilo que restou
Sou o caminho entre a queda
E o homem que levantou
Meu passado fala alto
Quando a rua fica vazia
Tem lembrança que é retrato
Tem saudade que é ferida
Mas eu já não volto inteiro
Pra lugares que deixei
Porque às vezes ir embora
É o jeito mais bonito de ser fiel
Não quero vencer o tempo
Nem posar de quem já sabe
Quero só viver mais limpo
Do que a culpa que me invade
Ainda cabe amanhã
Nessa noite que não termina
Ainda cabe um pouco de fé
Nessa dor que me desafina
Eu não sou tudo que perdi
Nem só aquilo que restou
Sou o caminho entre a queda
E o homem que levantou
Se o novo vem sem aviso
Que me encontre mais real
Menos preso ao que disseram
Mais inteiro no final
E se eu parecer sozinho
Não confunda com tristeza
Tem silêncio que é abrigo
Tem distância que é defesa
Ainda cabe amanhã
Nesse peito que insiste em vida
Ainda cabe uma canção
Nessa voz meio ferida
Eu não sou tudo que sonhei
Mas também não sou o fim
Sou o que aprendeu na dor
A voltar pra dentro de mim



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