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A Vida é Pingo Ligeiro

Mauricio Rigon

Quando guri, Gaudêncio, tropeava ossos
Mas por dentro afloravam suas ânsias
Queria mesmo é ficar taludo
Pra recorrer os campos da estância

Queria ser como os antigos campeiros
Que encilhavam lidas pelas madrugadas
Gastando vida no rastro do gado
Tingido melena com o tom da geada

A vida é pingo ligeiro
Que o tempo deixa encilhado
No início vai a galope
No final vem sofrenado
Rompendo aquela ilusão
Que o tempo passa troteado
Quem passa é a vida do homem
O tempo fica parado

Hoje, Gaudêncio conta seus causos
Caducando misérias que um dia herdou
Olhar opaco, mirando lejos
Sem se dar conta que a vida passou

Mas ainda lembra da infância
Da pressa que tinha na tenra idade
Sorve aos poucos um resto de vida
E, no baú da memória, uma velha saudade

Escrita por: Luciano Rozalino, Mauricio Rigon. ¿Los datos están equivocados? Avísanos.

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