Desarmando o Peito
Música dos Orixás
Hoje o dia nasceu virado do avesso
Testando minha fé, cobrando alto preço
Qualquer olhar torto já me acende a ira
Parece que a paz é só uma mentira
A mão coçou pra bater a boca, pra xingar
Tá difícil ser calmo, difícil segurar
O sangue subiu quente, queimando a razão
Eu tô carregando pedra no meu coração
Mas antes do grito sair e ferir alguém
Eu lembro que o veneno que eu lanço
Eu bebo também
A raiva é um fogo que queima a minha casa
E eu não nasci pra ser cinza
Eu nasci pra ser asa
Ô Ogum, guarda a minha espada agora
Que a guerra hoje é dentro, não é lá fora
Ô Ogum, desarma meu coração
Transforma essa fúria em estrada, não em agressão
Patacori, me ensina a recuar
Pra vencer a batalha sem precisar lutar
Eu chamo as águas, venha, Mãe Iemanjá
Lava essa cabeça que não para de pensar
Leva pro fundo do mar o que não é meu
O ódio que o dia pesado me ofereceu
Se Xangô é justiça, que julgue o meu ego
Entrego o meu orgulho, aqui me entrego
Não quero ter razão, eu só quero ter paz
Saber que o silêncio atira muito mais
Respiro fundo
Solto o punho que estava fechado
Respiro fundo
Perdoo o mundo por estar errado
Respiro fundo
Oxalá estende o seu alá
E o branco da bandeira me faz acalmar
Ô Ogum guardou a minha espada agora
A guerra acabou, foi embora
Ô Iemanjá lavou meu coração
Trouxe a mansidão
Epa Babá, o céu clareou
O guerreiro cansado enfim descansou
Tá tudo bem
Eu sou maior que o meu momento
Acalma
Acalma
Axé



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