
Velho do Burro
Ricardo Fino
Uma rédea suspensa numa mão
Noutra firma os dedos no bordão
Ouve os passos que se movem a seu lado
Busca as sombras de olhar embaciado
Outro dia sem porfia, outra espera à sua espera
Cresceu breve na fronteira do xaroco
Aprendeu a ser dócil e a ter pouco
Descalço ou de toscos tamancos
Brincou entre cerros e barrancos
Berço cedo fora, já homem noutra hora
Desce a encosta, os anos empurrando
Vai subi-la, eles pra trás puxando
Tateando no desvio aos escolhos
Bendito burro que é os seus olhos
Foi pastor, levou cabras às ribeiras
Descansou ao abrigo de azinheiras
Nesta terra cor de rosmaninho
Varejou, ordenhou e pisou vinho
Toldado mais um sonho num copo de medronho
Nos poiais há silêncio de lembrança
Nem um choro, ao longe, de criança
Foram anos sem chegadas, só partidas
Perdeu conta a tantas despedidas
Este velho é do monte, mais o burro, é do monte



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