
Último Pedido
Silvestre Kuhlmann
Me recuso a morrer como o mestre
Não sou merecedor desta glória
Pois eu trago em minha memória
Não vivi como ele viveu
Meu furor causou tanto desastre
Já fui cheio de orgulho e vanglória
O resumo da minha história
Sou um pecador que nele creu
Fui mais um pescador que o seguiu
E o seguindo no mar, afundei
E ao perguntar-me, me amas?
Os meus lábios disseram perjúrio
Já quis ser o maior entre todos
E ele, humilde, lavou-me os pés
Minha espada a um servo feriu
E mais, por três vezes o neguei!
Ainda hoje a pergunta ecoa
Pedro, amas-me mais do que estes?
Apascenta as minhas ovelhas!
Aprendi, esta é a forma de amá-lo
Me recuso a morrer como o mestre
Esta glória, não há quem mereça
Que meu gesto, isto, demonstre
Ponha a cruz, de ponta cabeça



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