
Última Estrofe
Silvio Caldas
A noite estava assim, enluarada
Quando a voz já bem cansada
Eu ouvi do trovador
Nos versos que vibravam de harmonia
Ele, em lágrimas, dizia
Da saudade de um amor
Falava de um beijo apaixonado
De um amor desesperado
Que tão cedo teve fim
E desses gritos de tormento
Eu guardei no pensamento
Uma estrofe que era assim
Lua, vinha perto a madrugada
Quando, em ânsias, minha amada
Nos meus braços desmaiou
E o beijo do pecado
O teu véu estrelejado
A luzir, glorificou
Lua, hoje eu vivo tão sozinho
Ao relento, sem carinho
Na esperança mais atroz
De que cantando em noite linda
Esta ingrata volte ainda
Escutando a minha voz
A estrofe derradeira, merencória
Revelava toda a história
De um amor que se perdeu
E a Lua, que rondava a natureza
Solidária com a tristeza
Entre as nuvens se escondeu
Cantor, que assim falas à Lua
Minha história é igual a tua
Meu amor também fugiu
Disse eu, em ais convulsos
E ele, então, entre soluços
Toda a estrofe repetiu
Lua, vinha longe a madrugada
Quando, em ânsias, minha amada
Nos meus braços desmaiou
E o beijo do pecado
O teu véu estrelejado
A luzir, glorificou
Lua, hoje eu vivo tão sozinho
Ao relento, sem carinho
Na esperança mais atroz
De que cantando em noite linda
Esta ingrata volte ainda
Escutando a minha voz



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