Corrente
Taïs Reganelli e Henrique Torres
Eu ando e paro em quase todo canto
Eu canto a nossa canção e o vento espalha
No espelho velho do aeroporto
A estação me confunde e o cais me olha
Naquela praça vive um coreto
E dentro vi um precipício
A esquina guarda alguma contramão
Não lhe vejo lá de cima
Do edifício numa corda bamba
Eu volto cambaleando, lendo, longe
Onde é que onde foi
Onde está você pr'eu fugir
Eu vejo todo o mundo e não lhe acho
Acho
E quando eu paro em quase um segundo
Primeiro eu beijo o vento e o som me volta
Todo desejo vem numa corrente
Sua presença tão quente não me solta
Me põe na cama como uma doença
E a solidão me desconcerta
Sussurrando diz
Você me deixou
Certa



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