Desgarrado do Campo
Vilmar Rodrigues
Abandonei a querência e vim parar no povoeiro
Atrás de sonhos matreiros, perambulando entre as vilas
Ilusões que se perderam nos luzeiros a distância
No peito restaram ânsias, na guaiaca nenhum pila
Sozinho ando a-lo-léu por entre a periferia
Só a lembrança judia alguém sem eira-nem-beira
Parece que escuto gritos de forma em cada aurora
E o tilintar da esporas lá no altar da mangueira
Quero voltar para o campo aonde eu era feliz
Mas o destino assim quis mostrar-me o lado ruim
Sem o perfume da mata e o aroma do capim
Pois faço parte do campo e o campo parte de mim
Hoje, só me restam sonhos pra viver de ilusão
No meu tempo de peão a vida tinha valor
Quando eu parava rodeio ou com a tropa estendida
Me divertia na lida, na culatra ou no fiador
Pra o desgarrado do campo vai mermando o coração
Num rancho de papelão, foi que achei pra morar
Sozinho eu vivo a cantar, em prece pedindo a Deus
Que ouço os pedidos meus, pra o campo eu quero voltar
Quero voltar para o campo aonde eu era feliz
Mas o destino assim quis mostrar-me o lado ruim
Sem o perfume da mata e o aroma do capim
Pois faço parte do campo e o campo parte de mim
Quero voltar para o campo aonde eu era feliz
Mas o destino assim quis mostrar-me o lado ruim
Sem o perfume da mata e o aroma do capim
Pois faço parte do campo e o campo parte de mim



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