diário de blackchach 2
YUNG EXU
Diário de blackchach, julho de 2020 e
Madrugada não acaba
Ansiedade vem em ondas, depressão afunda
A mesma febre que queima os doentes no hospício
Médicos, odeio
Mãe diz que eles odeiam negros
Brancos vivem, negros esperam
Esperam até morrer
Ela diz que eles são piores que a escória
Diz que fingem curar
Ela não sente ódio, só decepção
Isso me incomoda
Ela carrega decepção como um peso no praeito
Eu odeio por nós dois
O psicólogo me olha como se pudesse me consertar
Saí com um papel na mão, maníaco depressivo
Carimbo frio, sem cheiro, sem cor
Mas a sentença é clara: Eu tô quebrado
Às vezes arrancar partes de mim, braços, pernas, cabeça
Se não for a minha, vai ser de outra pessoa
Eu falei isso para ela
Ela olhou para mim como se já tivesse enterrado alguém
Talvez seja ela quem eu mato aos poucos todos os dias
Talvez seja a hora de acabar logo
Ouvi tiros ontem, três
Depois, silêncio
Silêncio sempre diz mais que os gritos
Mãe não dormiu, eu dormi
Comprei, pesada na mão, fria, bonita
Durmo com ela perto
Às vezes acordo e seguro só pra sentir
Mãe não sabe, acho que ela vai descobrir
Quando ela descobrir, vai ser tarde demais
Diário de blackchach



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