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Cantiga de Meninar

Zebeto Corrêa

Quando a gente era miudinho,
O mundo gigante
Moinho
Girava em pás, passarinho,
De rodas de amarelinha.

Aí, entre berlindas
De barra-manteiga, pedrinhas
De boca-de-forno, queimadas
De pique-esconde, chicotes
De cabra-cega, raquetes
De bente-altas, abraços
De mãe-da-lua,
A gente contava pra rua
Onde estava a margarida,
Se essa rua fosse minha,
Se você gostasse de mim...

Agora que a gente é gigante,
Somos escravos de jó.
O cravo brigou com a rosa
E caranguejo só é peixe
Lá no fundo da maré.
Somos pobres, pobres, pobres
De marré, marré, marré
E teresinha de Jesus
Em sete quedas foi ao chão.
Tanto sangue derramado
Dentro do meu coração...

Agora que o moinho é gigante,
Guerreiros com outros guerreiros
Fazem zigue, zigue, zá.
E o amor que tu me tinhas
Já mandaram ladrilhar
Seu eu pudesse ser miudinho,
Menina,
Eu voltava a te ninar.


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