Meu Cantar
Aládio Dullius
Houve dias que o canto era lonjura
Sonho guardado no peito, em silêncio
Desde guri, uma chama na escura
Guardada a sete chaves, no meu tempo
Eu olhava a estrada tão comprida
Achava que a voz não alcançava
Mas Deus me guardava pra essa lida
E no silêncio Ele me ensinava
Hoje eu sei, não canto por aplauso
Não canto por vaidade ou por palmas
Eu canto pra ser ponte, ser abraço
Um laço de melodia entre as almas
Cada verso que eu solto é oração
Cada nota é um abraço que consola
Se Ele for o maestro, o meu violão
Vai seguir tocando esperança por aí afora
Entendi que cantar é ser o canal
Onde o céu deságua no chão batido
Não é meu, é um dom divinal
Que me foi confiado e prometido
Levar mensagem em forma de cantiga
É cumprir o que um dia foi promessa
Ser candeeiro na noite da vida
Pra quem escuta com a alma acesa
Hoje eu sei, não canto por aplauso
Não canto por vaidade ou por palmas
Eu canto pra ser ponte, ser abraço
Um laço de melodia entre as almas
Cada verso que eu solto é oração
Cada letra é carinho que conforta
Enquanto Ele for o maestro da canção
Meu canto há de bater de porta em porta
Obrigado, meu Deus, por guiar meus passos
No campo escuro foste meu luzeiro
Obrigado a vocês, por tantos abraços
Que fizeram do sonho, esse cancioneiro
Seguimos juntos, que a estrada chama
O pampa é grande, mas Deus é maior
Enquanto houver voz, haverá chama
Enquanto houver canto, haverá amor!
Enquanto Ele for meu maestro, eu vou cantando
Tocando corações, espalhando esperança
Foi promessa divina que sigo levando
No compasso da fé, na milonga que não cansa



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