Fukushima
Banda Nami
Eminência parda
Por trás da cortina
Por dentro da carne
Há sempre um fantasma
Pedindo disfarce
Fukushima
Fukushima
Chega feito hóspede, instala a doutrina
Contamina o quarto, sequestra a rotina
Não banca o desejo, não diz a verdade
Faz do corpo alheio sua clandestinidade
De dia é profeta, censor e vigário
De noite consulta seu vocabulário
Condena no outro o que nele fermenta
Quanto mais acusa, mais se apresenta
Tem fala de santo, pupila de réu
Perfume de culpa, gravata e chapéu
Transforma o recalque em filosofia
Governa teu corpo por telepatia
Toda sentença que ele proclama
Treme de medo diante da cama
Toda pureza que diz defender
É só uma máscara querendo ceder
Fukushima, Fukushima
Você me oferece cu, eu quero buceta
Não me entenda mal, não que eu não queira
É que um desejo clandestino
Usa teu corpo de trincheira
Fukushima, Fukushima
Você me oferece cu, eu quero buceta
Não me entenda mal, não que eu não queira
É que um desejo clandestino
Usa teu corpo de trincheira
Eminência parda
Escondida na fumaça
Controla a fantasia
Mas nunca mostra a cara
Ele dita o roteiro, escolhe a posição
Faz da tua vontade uma procuração
É desejo de homem buscando outro homem
Mas falta coragem pra dizer o nome
Então te atravessa, te faz passarela
Usa a tua pele como uma janela
Não é o desejo que causa estranheza
É transformar outra pessoa em defesa
Aponta, acusa, vigia a calçada
Mas sua obsessão já deixou a pegada
Quem vive caçando desejo alheio
Talvez reconheça o próprio receio
É Freud no porão, Narciso na sala
Um falso arcanjo mordendo a própria fala
É tanta censura, sermão e etiqueta
Que o armário cresceu e engoliu o planeta
Quem sopra as palavras por trás da parede?
Quem move teu corpo, quem muda tua sede?
Quem veste tua pele e assina a caneta?
Quem chama de escolha o início da treta?
Fukushima, Fukushima
Você me oferece cu, eu quero buceta
Tem um desejo escondido
Disfarçado de profeta
Que te usa como máscara
E te move, marioneta
Vamos logo pra sarrafada
Pra terminar essa treta
Fukushima, Fukushima
Você me oferece cu, eu quero buceta
Tem um desejo escondido
Disfarçado de profeta
Que te usa como máscara
E te move, marioneta
Vamos logo pra sarrafada
Pra terminar essa treta
Há césio na taça
Urânio na fala
Um brilho azulado
Percorrendo a sala
Há chumbo no beijo
Veneno na veia
Um homem sem rosto
Puxando a correia
Não foi terremoto
Nem falha completa
Foi desejo oculto
Buscando uma fresta
Eminência parda
Quem manda no corpo
Sem mostrar o rosto?
Eminência parda
Quem julga no outro
O desejo encoberto?
Eminência parda
Tua moral é barricada
Eminência parda
Mas toda cortina
Termina rasgada
Fukushima, Fukushima
Você me oferece cu, eu quero buceta
Tem um desejo escondido
Disfarçado de profeta
Que te usa como máscara
E te move, marioneta
Vamos logo pra sarrafada
Pra terminar essa treta
Fukushima, Fukushima
Você me oferece cu, eu quero buceta
Não me entenda mal, não que eu não queira
É que um desejo clandestino
Usa teu corpo de trincheira
Eminência parda
Não mostra a cara
Eminência parda
Mas nunca se cala
Fukushima
Fukushima



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