
Não Tenho Medo de Terra
Barroso Eus
Bem me diziam que a terra
Se faz mais branda e macia
Quando mais do litoral
A viagem se aproxima
Agora afinal que cheguei
Nesta terra que diziam
Como é uma terra doce
Para os pés e para a vista
Os rios que correm aqui
Têm água vitalícia
(Mais ou menos, né, Cirin?)
Cacimbas por todo lado
Cavando o chão, água mina
Vejo agora que é verdade
O que pensei ser mentira
Quem sabe nessa terra
Não plantarei minha sina?
Não tenho medo de terra
(Cavei pedra toda a vida)
Como há muites Severines
Que é santo de romaria
Deram então de me chamar
Severine de Maria
(Cavei pedra toda vida)
E pra quem lutou a braço
Contra a piçarra da caatinga
Será fácil amansar essa aqui, bem machistinha, né?
Mas não avisto ninguém
Só folhas de cana fina
Somente ali à distância
Aquele bueiro de usina
Somente naquela várzea
Um bangüê velho em ruína



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