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No Romper da Trança

Juliana Spanevello

Bem me lembro o cambaleio
Quando te achei de repente
A lua mudou de quarto
Pra encontrar o sol nascente

Numa manhã preguiçosa
Um mundo novo sorria
Pra potrinha que mamava
Na mãe de primeira cria

No grito firme de forma
Numa mangueira empoeirada
Ganhou um buçal trançado
Teve a crinera aparada

Pela confiança lembrava
A ascendência que tinha
Madrinha da minha infância
Eguaça de montaria

Que triste a desmamada
Da potranca já crescida
Que se viu desconsolada
No tronco de um mangueirão

Enquanto lá pro varzedo
Foi-se a égua pra manada
Mal lembrando o tranco doce
Se planchando num tirão

Teve um outro pro desmame
Um baiozito cabos negros
Que o caseiro lá da estância
Lhe mimou por ser guaxito

Eu que cuidava de longe
Vi no aparte a comoção
De um peitaço contra o arame
E um peão com olhos no chão

Pois entre homem e cavalo
Vive um laço de confiança
Que aguenta feito a trança
Num tombo depois do pealo

O aparte é couro que cede
Frente aos costumes da lida
E a trança rompe estendia
Bem no lado do cavalo


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