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A Salamanca do Jarau

Luis H. Rocha

A lenda de Teiniaguá
Salamandra e realeza
Um causo de arrepiar
Verga a alma numa tristeza

No Cerro do Jarau
A lagoa é fervente
O vivente sente um mal
Que acena, ecoa e prende

Teiniaguá se revela
No vício da tentação
Vira sombra de donzela
Que engana o coração

O devoto sacristão
Tombou no doce feitiço
Domado pela paixão
Pôs a alma a seu serviço

Entre luxúria e ardor
Penetrou na perdição
Na sacristia era amor
Regado a vinho e paixão

Teiniaguá, salamanca do Jarau
Uma princesa de terra bem distante
Amaldiçoada por Anhangá-Pitã
Fez-se salamandra, amante e guardiã
Teiniaguá, a Salamanca do Jarau

A fé não pôde aceitar
Essa profunda heresia
Inquisidores vão condenar
À morte no mesmo dia

Quando a hora chegou
Teiniaguá lhe acudiu
Fogo e terra afundou
E o mundo ali se partiu

Na Salamanca do Jarau
O casal foi confinado
É preciso vencer o mal
Para que sejam libertados

Muito tempo se passou
Um charrua altivo e ousado
A maldição enfrentou
E o casal foi libertado

Teiniaguá, Salamanca do Jarau
Uma princesa de terra bem distante
Amaldiçoada por Anhangá-Pitã
Fez-se salamandra, amante e guardiã
Teiniaguá, a Salamanca do Jarau


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