
Esquilador
Luiz Carlos Borges
Quando é tempo de tosquia
Já clareia o dia com outro sabor
As tesouras cortam em um só compasso
Enrijecendo o braço do esquilador
Um descascarreia, o outro já maneia
E vai levantando para o tosador
Avental de estopa, faixa na cintura
E um gole de pura pra espantar o calor
Alma branca igual ao velo
Tosando a martelo quase envelheceu
Hoje perguntando para a própria vida
Pr'onde foi a lida que ele conheceu
Quase um pesadelo, arrrepia o pelo
Do couro curtido do esquilador
Ao cambiar de sorte levou cimbronaço
Ouvindo o compasso tocado a motor
A vida disfarça lembrando a comparsa
Quando alinhavava o seu próprio chão
Envidou os pagos numa só parada
Trinta e três de espada, mas perdeu de mão
Nesta vida guapa vivendo de inhapa
Vai voltar aos pagos para remoçar
Quem vendeu tesouras na ilusão povoeira
Volte pra fronteira para se encontrar



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