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Trancaço

Luiz Marenco

Um tranco véio campeiro, desses de sair agachado
Quanto mais abagualado, mais a indiada corcoveia
Boleio a perna com as vista suja de terra
De andar laçando macega no rastro de uma morena

Marca buenaça, lindeira lá da campanha
Quanto mais se arreganha, mais se gruda nas orelha
Soca as ilheiras, apeando as garra da encilha
Tocando em rádio de pilha enquanto lavo o xergão

Esse trancaço é botado, xucro dos quatro costado
Esse trancaço é botado, xucro dos quatro costado
E até parece uma fera, um bando de quero-quero
Que não se leva no berro, acostumado com o gado

É nesse tranco crioulo de bater à passarinha
Que se endurece o lombo e se escancaram as cancelas
E só depois de se enganchar num basto bem arrumado
Com o laço à bate-cola, é que a peonada se desdobra
E nunca mais volta pra sela

Esse trancaço é botado, xucro dos quatro costado
Esse trancaço é botado, xucro dos quatro costado
E até parece uma fera, um bando de quero-quero
Que não se leva no berro, acostumado com o gado

Esse trancaço é botado
Acostumado com gado
Esse trancaço é botado
Acostumado com gado


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