
O Último Adeus de Quem Ganha o Céu
Luiz Marenco
Gastei meus dias pelas invernadas
Passou a vida sem eu me dar por conta
Restou-me o rumo da última estrada
Que me leva aonde o cruzeiro aponta
Sonhei um rancho com a morena
Na lida bruta de arrocinar potros
Porém, a sina inverteu caminhos
E, hoje, os rumos que tenho são outros
Então, não levem por esses novembros
Flores e adornos a uma cruz de campo
Pois quero ser, na constelação
Essas estrelas que remendam cantos
Aceitarei preces em noites escuras
Que hão de vir quando chegar meu fim
Porém, somente me encontrarão
Os que viajarem para o sul de mim
Trago, de alento, essa esperança
Pra quando a morte me por o sovéu
De ir pra junto das cinco estrelas
E o que merecer vai me ver no céu
E saberás que, uma, é o meu coração
A outra, contará o que aconteceu
A que mais brilha é a minha bela
As duas tristes são os olhos meus
Então, não levem por esses novembros
Flores e adornos a uma cruz de campo
Pois quero ser, na constelação
Essas estrelas que remendam cantos
Aceitarei preces em noites escuras
Que hão de vir quando chegar meu fim
Porém, somente me encontrarão
Os que viajarem para o sul de mim
Os que viajarem para o sul de mim



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