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Noite de Garoa

Orlando Silva

Inverno, noite escura e de garoa
Pelas ruas desertas da cidade
Segue comigo, passo a passo, à toa
A sombra errante e triste
Da saudade

E enquanto que as lembranças do passado
Me vêm aos poucos
Povoar a mente
Meu coração, saudoso e amargurado
Soluça então, baixinho, tristemente

Por que soluças tanto, ó coração
Não vê que está traçada
A minha meta
Deixa que eu sofra
Com resignação
Do próprio mal
De ter nascido poeta

Pois se há na vida
Um bem que não se alcança
Deixa que assim, feliz, eu morrerei
Cheio de fé, de amor e de esperança
Em busca desta glória que sonhei

Inverno, noite de garoa leve
Minh'alma, irmã das almas vagabundas
Relembro teu amor que foi tão breve
Mas que deixou raízes tão profundas

Por isso a minha vida é um mar de escolhos
Volta, não ti vás mais, tão longe assim
A tua imagem mora nos meus olhos
E tu, talvez, não lembras mais de mim

Pois se há na vida
Um bem que não se alcança
Deixa que assim, feliz, eu morrerei
Cheio de fé, de amor e de esperança
Em busca desta glória que sonhei

Escrita por: Jose Maria de Abreu. ¿Los datos están equivocados? Avísanos.
Enviada por Poeta. Revisiones por 2 personas. ¿Viste algún error? Envíanos una revisión.

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