
Quando a Alma Pede Trança
Ramão Missioneiro
A madrugada se adelgaça
No transpassado das horas,
E os lampejos da aurora
Moldam as barras do dia,
Esboçando a sinfonia
Junto a prece dos galpões,
Do guasca que em suas razões
Retova filosofias.
Saboreando os desenganos
Num palheiro fumacento,
Da mão que empunha os tentos
Para trançar eficiência,
Nas silhuetas da ausência
Brotam sombras da saudade.
Amor louco na verdade
Que escaramuça na querência.
Desquinando a alma chucra,
Quando a vida e a labuta,
Se confundem ao cismar...
Forjando as guapas ânsias
Couro bruto das distâncias
Que jamais pode sovar!
E dos anos garroteados
Entre buçais e maneias,
As tantas cordas alheias
Pras manhas dos aporreados,
E dos laços reforçados
Ao gosto das encomendas.
A lonca em forma de renda,
E a alma um couro trançado.
Quando inverno e o rigor
Assumem junto a garoa...
A lida que era tão boa
Cede o espaço ao galpão,
E aos poucos a pretensão
Vai apertando nas tranças
Aquelas velhas lembranças,
memórias do coração.



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