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Sorriste-me junto ao rio
Quando de febre eu morria
Entre delírios palustres
E suores me consumia
Eu ardia em fogo lento
Quando me deste agasalho
Passaste em mim um unguento
Muito mais fresco do que orvalho

Redimiste-me nativa
Das penas do meu regredo
Mantiveste a minha alma vida
Por ti voltei a ser ledo
Adorei deus em heresia
Dei-lhe outra face sagrada
E à nossa volta no chão
Foi crescendo uma erva mestiçada

Deste-me conchas do mar
E um sorriso na boca
E eu nada tinha pra dar
Que se comparasse em troca

Dei-te os ferros da razão
Dei-te o valor do metal
O castigo e o perdão
E a gramática do mal
Dei-te a dor no crucifixo
Dei-te a cinza do prazer
Se não fosse eu era outro
E antes eu do que um qualquer

Dei-te a minha lingua mãe
Na tardes desse vagar
O meu bem mais precioso
Que eu tinha pra te dar

E esse meu falar antigo
De branco fez-se mulato
Um dialecto criolo
Um viço novo no mato

Escrita por: Carlos Tê / Rui Veloso. ¿Los datos están equivocados? Avísanos.

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