
Um Samba Que Nem Rita Adora
Luiz Carlos da Vila
O Chico falou
Que a Rita levou
O sorriso dele, o assunto
Eu sofri seu sofrer, mas pergunto
Se o meu ele ia aguentar
A quem tanto queria um presunto
Dei meu corpo morrendo de amar
Onde havia um horizonte defunto
Pus um sol a brilhar
Num instante eu tirei
Suas mãos lá do tanque
Presenteei
Máquina de lavar
Contratei pra passar
Dona Sebastiana
Testemunha ocular do esforço que fiz
Para ver tudo azul
Que até carvão e giz
Teriam final feliz na África do Sul
Acontece, ô Chico
Você mesmo diz
Que a Rita levou o que era de direito
Acontece que a Dora sem ter o direito
Levou tudo que eu já ia lhe dar
Se não deu pra formar um conjunto
O meu som não podia dançar
Se não deu pra gente ficar junto
É um lá, outro cá
Me dediquei
Uma trova, um soneto e um samba-canção
Mas é que a danada não tem coração
Tem não, tem não
Sem mais e sem menos resolve ir embora



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