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Na Encruzilhada

Volmir Coelho

Eu vinha bem estribado
Pelegão poncho emalado
Numa noite que era um breu
Um palheiro chamuscando
Contra o vento fumegando
Vejam o que me aconteceu

Meu gateado que era um gato
Se deu volta num buraco
E o céu troca pro chão
Minhas esporas prateada
Com as estrelas se alumiava
Junto com o palheiro meu

Meu mundo trocou de ponta
Pergunto, afinal de conta
Por que tinha que ser eu?
Tinham soltado um despacho
Tinha um galo e um chibo guacho
Meu gateado se perdeu

Uma champanhe importada
Pipoca doce e salgada
E velas de toda cor
Um fogaréu levantando
Meu poncho véio incendiando
Gritei por nosso Senhor

Eu vinha bem estribado
Carregando meu pecado
Naquela noite gelada
E naquela encruzilhada
Depois de trocar de ponta
Foi aí que me dei conta
Que sem Deus eu não sou nada


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